Artrose vira dor crônica em 61% dos casos








Uma recente descoberta pode mudar bastante a maneira de combater as dores nas pernas, que figuram no topo da lista de dores crônicas e atinge principalmente mulheres.

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná descobriram que a dor avança sobre o sistema nervoso central em 61% dos casos. Quando isto acontece, o paciente passa a precisar de dois tipos de tratamento, um para o foco da lesão e outro para o sistema nervoso central.

"O que acontece é uma sensibilização da medula e do cérebro", esclarece o reumatologista Eduardo Paiva, chefe do laboratório de fibromialgia da universidade. Este é um conceito ainda novo na medicina, que vem sendo estudado por especialistas em dor crônica.

O processo de sensibilização acontece quando o foco da dor persiste por pelo menos três meses. Se um osso da perna estiver quebrado e não for tratado, por exemplo, os nervos vão passar semanas recebendo o mesmo sinal de dor.

Esse sinal vai sensibilizar o nervo e, mesmo quando o problema for resolvido, esse nervo vai continuar mais vulnerável a estímulos. Assim, até os estímulos mais fracos, que normalmente não seriam interpretados como dor, passam a causar incômodo.

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O joelho é um dos principais pontos de dor provocada pela artrose

Artrose

O estudo foi realizado com 200 pacientes portadores de osteoartrite, doença conhecida como artrose. "É um desgaste das articulações, que pode acontecer nos joelhos, nos quadris e na coluna lombar", detalha o reumatologista.

Quando a articulação se desgasta, os movimentos do paciente provocam atrito nos ossos e inflamam o local. A dor passa a ser constante e requer uso contínuo de analgésicos.

"Mas em muitos casos, o paciente volta a sentir dor e, aos poucos, os medicamentos vão perdendo a eficácia", afirma o médico. Com a descoberta, o especialista sugere o uso de outra categoria de medicamentos, a dos antidepressivos e anticonvulsivantes.

"Eles vão agir diretamente na produção de serotonina e noradrenalina", diz. Estas substâncias estão ligadas a percepção de dor pelo cérebro e pela medula. "É uma forma de combater a memória da dor", esclarece.

Não é só dor

Formigamentos, pontadas, sensação de adormecimento. Estas são alguns dos problemas que podem acompanhar, ou até substituir a dor crônica. Em todos os casos, o problema também é caracterizado como dor crônica.

Para evitar que a dor se instale no sistema nervoso central, o reumatologista explica que é preciso tratar a dor desde suas primeiras manifestações. A recomendação, inclusive, foi dada recentemente pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).

A entidade lançou uma campanha para mostrar que a dor crônica poderia ser evitada em 90% dos casos, se o tratamento para a dor fosse feito desde cedo.


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