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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Efeitos da hidrocinesioterapia na dor em indivíduos com osteoartrose

Segundo Serra, Petit e Carril (2001), a artrose ou osteoartrose refere-se ao processo degenerativo que acomete as articulações. As alterações começam na cartilagem articular, que sofre um processo de reamolecimento e deterioração, chegando inclusive a desaparecer em fases avançadas. O osso subcondral também sofre mudanças que se traduzem em um aumento de densidade ou esclerose e na formação ocasional de cistos ou partes ocas. Nas margens articulares aparecem prolongações ósseas do osso subcondral, de forma irregular e tamanho variável, denominada osteófitos, que constituem o sinal mais característico da artrose.

O paciente com artrose padecerá sempre com dor, em maior ou menor grau; sofrerá também uma limitação funcional, que poderá ser discreta ou invalidante, ainda que, hoje em dia, graças à evolução dos tratamentos (especialmente da cirurgia), o paciente artrótico raramente se veja convertido em um inválido, ainda que tenha dificuldades para realizar as atividades da vida diária, e, finalmente é consciente de que a doença durará toda a vida (SERRA, PETIT e CARRIL, 2001).

Segundo Yoshinari e Bonfá (2000), a maior parte dos estudos epidemiológicos da osteoartrose baseia-se em avaliações radiográficas. A prevalência da osteoartrose radiográfica se eleva progressivamente em todas as articulações, 52% da população adulta apresentam sinais radiográficos da osteoartrose de joelhos e, desses, 20% com quadro moderado ou severo. Aos 40 anos de 10 a 20% das mulheres mostram a osteoartrose avançada nas mãos e nos pés e, entre aos 60 e 70 anos, 75% têm osteoartrose nas articulações interfalangeanas distais. Entre os indivíduos na faixa entre 55 e 64 anos, 85% exibem algum grau de osteoartrose em uma ou mais articulações e, acima dos 85 anos, a prevalência da doença alcança cem por cento.

A osteoartrose de mãos e joelhos é de 1,5 a 4 vezes mais freqüente nas mulheres; a osteoartrose de quadril é menos prevalente, com discreta predominância no homem. No Brasil, dados obtidos junto ao Instituto Nacional de Previdência Social mostraram que, em 1974, as doenças osteoarticulares foram responsáveis por 10,6% das faltas ao trabalho (ocupando o terceiro lugar das causas de incapacidade, após as doenças mentais e as cardiovasculares). A osteoartrose foi, portanto, o motivo do impedimento laborativo em 7,8% dos casos (YOSHINARI; BONFÁ, 2000).

É de etiologia desconhecida, embora se acredite que haja um componente genético, ou podendo surgir através de traumatismos, micro-traumas de repetição, sobrecarga, hiperfrouxidão ligamentar e anomalias congênitas (SERRA, PETIT e CARRIL, 2001).

Salter (1985), relata que o sintoma predominante é a dor que surge do osso, assim como da membrana sinovial e da cápsula fibrosa. A dor, a princípio sutil e mais tarde intensa, é intermitente. Agravada pelo movimento articular ("efeito de fricção"), se alivia com o repouso. Eventualmente, porém, o paciente pode inclusive apresentar "dor em repouso", provavelmente relacionada com a hiperemia do osso subcondral.

O paciente se torna consciente de que seus movimentos articulares já não são uniformes e que estão associados a vários tipos de crepitação articular, tais como rangidos, chiados e estalos. A articulação tende a se tornar rígida após certo período de repouso, fenômeno denominado gelitificação articular. A articulação comprometida perde cada vez mais o movimento, de forma gradual; eventualmente pode tornar-se tão rígida que a dor (associada a movimento) diminui (SALTER, 1985).

No exame físico, a articulação comprometida mostra-se dolorosa à palpação e mobilização. Os sinais inflamatórios habitualmente são brandos, quase sempre não passando de um discreto edema. Em alguns casos, há derrame articular. Osteófitos podem ser identificados quando proeminentes, como um alargamento ou uma protuberância na interlinha articular de consistência rígida (YOSHINARI; BONFÁ, 2000).

A musculatura correspondente à articulação pode estar hipotrofiada. A amplitude do movimento articular pode ficar reduzida. As ocorrências de evolução mais grave mostram perda completa de movimento, deterioração da função articular e até anquilose. Deformidade, falta de alinhamento e instabilidades articulares podem acontecer (YOSHINARI; BONFÁ, 2000).

Borg (2000), conceitua a dor como um termo antiqüíssimo e bem estabelecido. Os dicionários fornecem definições constitucionais basicamente do mesmo tipo ou contexto na maioria das línguas. "Dor: Oposto de prazer; a sensação que o indivíduo percebe ao ferir-se (no corpo e na mente); sofrimento, angústia. Sofrimento físico; uma sensação angustiante, como a causada por uma contusão (habitualmente em determinada parte do corpo). Sofrimento mental; confusão, abatimento, tristeza". "Uma sensação desagradável, ocorrendo em graus variáveis de intensidade, em conseqüência de uma lesão, moléstia ou distúrbio emocional".

Guyton (2002), relata que os receptores da dor na pele e nos tecidos são terminações nervosas livres ou células intimamente conectadas a elas. Elas se encontram em toda parte nas camadas superficiais da pele e, também, em certos tecidos internos, tais como: periósteo, nas paredes das artérias e nas superfícies articulares.

Calliet (1999), relata que a dor pode ter origem única (articular, muscular, visceral) ou múltipla, se resulta de um único comprometimento de duas ou mais estruturas anatômicas distintas.

As raízes nervosas destinadas às articulações são formadas por fibras simpáticas e sensoriais provenientes de numerosos segmentos espinhais e se distribuem amplamente nos ligamentos, na cápsula articular e na membrana sinovial, enquanto a cartilagem articular carece de terminações nervosas. As fibras sensoriais maiores formam terminações proprioceptivas muito sensíveis à posição e ao movimento. As fibras sensoriais menores formam terminações sensíveis à dor na cápsula articular, nos ligamentos e na camada adventícia dos vasos sangüíneos (CALLIET, 1999).

As terminações nervosas são particularmente sensíveis à torção e à tração destas estruturas. A membrana sinovial, pelo contrário, é relativamente insensível aos estímulos dolorosos. A dor que se origina na cápsula articular ou na membrana sinovial tende a ser difusa e discretamente localizada (CALLIET, 1999).

Ainda Calliet (1999), relata que a dor articular pode ser conseqüência de um processo inflamatório ou degenerativo, que pode determinar alterações circulatórias locais com isquemia, que representa a causa mais freqüente de dor neurogênica.

As causas de dor articular não são ainda totalmente conhecidas. Nos últimos anos, aumentou o interesse por algumas substâncias (5 - hidroxitriptamina ou serotonina, bradicinina, prostaglandinas), que seriam capazes de modificar a sensibilidade das terminações nervosas pela qual estas últimas reagiriam a pequenos estímulos provocadores de dor (CALLIET, 1999).

Segundo Santos (1996), existem diversos sistemas descendentes que desempenham um papel importante no controle da modificação das vias descendentes de dor. Nociceptores polinodais respondem a estímulos que lesam os tecidos; essa estimulação resulta em impulsos ascendentes nas fibras A-delta (finas, 2 – 4 m, mielinizadas, velocidade de condução = 12 a 30 m/s, bem localizadas) ou C (amielínicas, dor dolente, duradoura e difusa, velocidade de condução = +2m/s) para as camadas marginais do corno dorsal da medula espinhal. Fibras maiores ou mais grossas (12, 14m) são mielinizados, têm limiar de estimulação mais baixo, velocidade de condução bem mais alta; não diferenciam eventos inócuos e nocivos; agem no controle da sensação dolorosa.

As vias responsáveis pela dor, a partir de um estímulo lesional captado por receptores nociceptivos – ligados a fibras nervosas periféricas de pequeno calibre, mielinizadas ou amielínicas -, conduzem o estímulo até o corno dorsal medular, onde fazem sinapses com os neurônios secundários. O estimulo ascendente se distribui através de regiões relativamente especificas da medula e do tronco cerebral, até alcançar o tálamo e as áreas somatossensórias do córtex (SANTOS, 1996).

Santos (1996), explica que esses estímulos são controlados através de sistemas modulatórios endógenos durante sua projeção ao longo das vias de condução. Ao nível medular, o estímulo é inibido em sua retransmissão a partir das células da substância gelatinosa, que fecha o chamado "sistema de comportas", após receber estímulos inócuos conduzidos através das fibras aferentes de grande calibre. Outros sistemas modulatórios promovem liberação de endorfinas (que funcionam como opióides endógenos) através de neurônios à medula ou de projeções ativadas a partir de centros superiores do sistema nervoso central.

As principais vias ascendentes nociceptivas são os tratos espinotalâmicos e espinorreticulares. As vias ascendentes de dor envolvem neurônios oligissinápticos e polissinápticos. As vias oligossinápticas são condutoras rápidas, com discreta organização somatotópica, com transmissão rápida da informação nociceptiva referente ao local, à intensidade e à duração do estímulo; fornecem informações somáticas via núcleos ventrais posteriores do tálamo, até o córtex pós-central. As vias polissinápticas são condutoras lentas, sem organização somatotópicas, com má localização, dor indefinida e sensações de queimação; fornecem respostas reflexas supra-segmentares relacionadas à ventilação, à circulação e à função endócrina (SANTOS, 1996).

Dentro do campo da fisioterapia, o fisioterapeuta utiliza vários recursos para aliviar a dor em indivíduos com osteoartrose, como por exemplo, a termoterapia, eletroterapia, crioterapia, hidroterapia e hidrocinesioterapia.

O termo hidroterapia é derivado do grego hydor – água e therapia – cura (SKINNER; THOMSON, 1985).

A hidrocinesioterapia, de acordo com Mazarini e Bellenzani (1986), é a aplicação da água para fins terapêuticos, utilizando-se das propriedades físicas como agentes da terapia. Skiner e Thomson (1985) relatam que as principais propriedades físicas da água são: densidade e gravidade específicas, pressão hidrostática, empuxo, tensão superficial, viscosidade, metacentro, turbulência, fricção e refração, todas estas propriedades influenciam no tratamento.

Os efeitos terapêuticos incluem o alívio da dor, relaxamento e fortalecimento muscular. Exercícios em piscina aquecida reduzem as chances de microtraumas, pois os movimentos são lentos e há uma falta de forças excêntricas, além disso, as mudanças fisiológicas que são conseqüência da imersão em água aquecida, ajudam a reduzir a dor percebida e aumentam a facilidade no movimento (BATES e HANSON, 1998).

De acordo com Campion (1997), um corpo imerso em água aquecida, sofre estímulos diversos, que desencadeiam efeitos terapêuticos tais como: melhora da capacidade funcional dos músculos e articulações, melhora da coordenação, equilíbrio, postura e dor.

Segundo Ruoti, Morris e Cole (2000), a terapia aquática oferece inúmeros benefícios: melhora da imagem corporal, desenvolvimento da independência, melhora das condições físicas, auto confiança, melhora da auto disciplina e oportunidade para auto expressão e criatividade.

Pretende-se com a presente pesquisa, mediante estudo experimental, verificar os efeitos de um programa de hidrocinesioterapia na dor em pacientes com osteoartrose de joelho.

 


Palavras – chaves: Osteoartrose, Dor, Hidrocinesioterapia.



2. Método

Para a realização do estudo foram utilizados oito sujeitos do sexo feminino. A variável dependente foi apresentada pela dor enquanto a variável independente foi considerada o programa de hidrocinesioterapia.

2.1. Sujeito

Foram sujeitos deste trabalho, oito indivíduos do sexo feminino, com quadro clínico de osteoartrose de joelho e idade de 42 a 67 anos, relatando dor. Foram utilizados como critérios de exclusão dos sujeitos: hidrofobia, lesões cutâneas (feridas mal curadas e escaras) e hipertensão arterial grave e instável (FIORELLI e ARCA, 2002). Sendo também excluídos indivíduos com alterações visuais e cognitivas importantes.

2.2. Materiais e Equipamentos

* Ficha de avaliação (Anexo I)
* Termo de consentimento (Anexo II)
* Piscina terapêutica aquecida com temperatura variando entre 33 à 34ºC.
* Aquatub
* Bóia circular
* Tornozeleiras flutuadoras


2.3. Procedimento

Vale ressaltar que foi solicitado o consentimento do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Sagrado Coração (USC) e o estudo começou somente após a obtenção da sua autorização (Protocolo nº 052/2004).

O desenho experimental compreendeu de quatro etapas distintas e complementares.


Etapa I: Avaliação dos sujeitos

Inicialmente foi realizado um levantamento dos pacientes da lista de espera da Clínica Escola de Fisioterapia da Universidade do Sagrado Coração. Após isto, foram selecionados indivíduos com diagnóstico de osteoartrose de joelho. Em seguida, o agendamento para realização da avaliação. Os pacientes receberam o termo de consentimento e assinaram se concordaram a participar do estudo.

Na avaliação foi realizada inspeção da região do joelho. A classificação da dor foi feita seguindo a escala subjetiva de faces (Fig. 01), onde são mostrados rostos com várias feições e o paciente indica como está se sentindo em relação à dor após o terapeuta relatar o significado de cada rosto apresentado na tabela. Por exemplo:


Fig. 01 Escala subjetiva de faces

Rosto 1: Dor ausente ou sem dor.

Rosto 2: Dor presente, havendo períodos em que é esquecida.

Rosto 3: A dor não é esquecida, mas não impede exercer atividades da vida diária.

Rosto 4: A dor não é esquecida, e atrapalha todas as atividades da vida diária, exceto alimentação e higiene.

Rosto 5: A dor persiste mesmo em repouso, está presente e não pode ser ignorada, sendo o repouso imperativo.



Etapa II: Programa de intervenção

O programa foi realizado na clínica escola da Universidade do Sagrado Coração, em um período de 6 semanas, sendo 2 sessões semanais com duração de sessenta minutos.

Cada sessão foi subdividida em: aquecimento, alongamento e relaxamento. Os exercícios de alongamento foram realizados na região lombo-sacra e membros inferiores, totalizando de trinta minutos. O relaxamento global teve duração de dez minutos.

O aquecimento foi composto por caminhadas (anterior, posterior e lateral) e teve duração de dez minutos.

Os alongamentos tiveram a duração de quarenta minutos e foram realizados nos seguintes grupos musculares: Tríceps Sural, Ísquio Tibiais, Adutores, Quadríceps, Abdutores, Glúteos e Paravertebrais Lombares.


Etapa III: Reavaliação dos sujeitos

As reavaliações foram realizadas na 6ª e 12ª sessões, onde foi utilizada a mesma escala da etapa I.


Etapa IV: Análise dos dados

Para a análise dos dados, foi utilizado o teste não – paramétrico de Friedman, (NOERMAN; STREINER, 1994).



3. Resultados e Discussão

O trabalho apresentou resultados interessantes em relação a dor dos pacientes estudados.

A tabela 1, nos mostra a mediana e semi-amplitude total da escala de face da dor antes, durante e após o programa de hidrocinesioterapia. O resultado das avaliações nos períodos antes/durante e durante/após não apresentaram diferença , porém antes/depois do programa, os dados mostraram evolução estatística significativa (p<0,01).

Tabela 1. Mediana e semi-amplitude total da escala de faces da dor segundo o momento de avaliação.

Momentos de Avaliação Resultado da
fonte estatística
Antes
3+/- 1b
Durante
2+/- 1ab
Após
2+/- 0,5a
10,75 (p<0,01)

Estes dados podem ser explicados devidos alguns fatores.

A imersão em água aquecida interrompe o ciclo da dor, ou melhor, inibe a ação das substâncias geradoras da dor (serotonina, acetilcolina e bradicinina), aumentando a circulação e diminuindo os espasmos musculares (BATES e HASON, 1998).

A pressão hidrostática, associada a viscosidade estimula constantemente as terminações sensitivas do corpo. O bombardeamento do estímulo sensorial é conduzido através de fibras que são mais largas e mais rápidas e tem uma maior condutividade que as fibras da dor. Como resultado, a percepção de dor do paciente fica bloqueada, assim essa redução é uma das maiores vantagens da terapia aquática (BATES e HASON, 1998).

De acordo com Campion (2000), o empuxo alivia o estresse sobre as articulações sustentadoras de peso e permite que se realize movimentos em forças gravitacionais reduzidas; dessa forma, as atividades que não sustentam peso podem ser iniciadas antes mesmo de serem possíveis no solo.

Para Caromano e Ide (2003) apud Junior e Geremias (2003), os movimentos na água são geralmente associados ao objetivo terapêutico, com a normalização de amplitudes de movimento, força e tônus muscular.

O relaxamento integral promove a diminuição da tensão, espasmo muscular e principalmente um desligamento mental ocasionando aumento no limiar da dor (DULL, 1993).

De acordo com Bertolucci (1999) apud Junior e Geremias (2003), o alongamento muscular é capaz de aumentar o número de sarcômeros, adicionando-os em série no ventre muscular. Este aumento, por conseguinte, aumentaria a amplitude de ação do músculo e auxilia na redução da dor.

No estudo realizado por Larini e Pelegrin (2001), onde estudaram os efeitos da hidrocinesioterapia na dor em indivíduos com DORT, duas vezes por semana durante oito semanas, verificaram uma melhora significativa na evolução da dor. Estes dados coincidem com a presente pesquisa.

No estudo realizado por De Vito e Poletti (2002), onde estudaram os efeitos da hidrocinesioterapia na dor em indivíduos com fibromialgia, duas vezes por semana durante oito semanas, verificaram uma melhora significativa na evolução da dor.
Mesmo não sendo o foco principal deste estudo, deve-se levar em consideração que a melhora da dor conseqüentemente vai promover uma melhora na qualidade de vida dos participantes.

Além disso, como foi dito anteriormente, 52% da população apresenta sinais de osteoartrose e a hidrocinesioterapia é um recurso que vai promover uma vida mais saudável para todas essas pessoas.


4. Conclusão

Com os resultados obtidos, pode-se concluir que a aplicação do protocolo de tratamento utilizado neste estudo demonstrou eficiência, pois houve redução significativa da dor relatada no inicio da pesquisa em indivíduos com osteoartrose de joelho.



5. Referências bibliográficas

BATES, A.; HANSON, N. Exercícios aquáticos terapêuticos. São Paulo: Manole, 1998.

BORG, G. Escala de Borg para dor e esforço percebido. São Paulo: Manole, 2000.

CALLIET, R. Dor: Mecanismo e Tratamento. São Paulo: ArtMed, 1999.

CAMPION, M. R. Hidroterapia Princípios e Prática. São Paulo: Manole, 2000.

DE VITO, L.; POLETTI, V. M. A hidrocinesioterapia na síndrome da fibromialgia. 2002, 16p. Trabalho de Conclusão de Curso (Fisioterapia) – Universidade do Sagrado Coração, Bauru.

DULL, H. WATSU: Freeing the Body in Water. Middle-town, Califórnia: Harbin Springs, 1993.

FIORELLI, A.; ARCA, E. A. Hidrocinesioterapia Princípios e técnicas terapêuticas. Bauru: EDUSC; São Paulo: Imprensa Oficial Do Estado, 2002.

GUYTON, A. C.;  HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

JUNIOR, A. S. A.; GEREMIAS, V. C. Efeitos da Hidroterapia na Osteoartrose de Joelho. Fisio Magazine, Londrina, v.1, n.1 , p.12-15, nov.2003/set. 2004.

LARINI, K. C. P.; PELEGRIN, E. A. L. Efeitos da hidrocinesioterapia na dor em indivíduos com distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. 2001. 15p. Trabalho de Conclusão de Curso (Fisioterapia) – Universidade do Sagrado Coração, Bauru.

MAZARINI, C.; BELLENZANI, A. N. Eu Aprendi a Nadar. In: Psicomotricidade Teoria e Prática: Estimulação, Educação e Reeducação Psicomotora com Atividades Aquáticas. São Paulo: Lovise, 1986.

NORMAN, G. R.; STREINER, D. L. Biostatistics- The base essentials. St. Louis: Mosby Year Book, 1994.

SERRA GABRIEL, M. R; PETIT DÍAZ, J.; CARRIL SANDE DE, M.ª L.. Fisioterapia em traumatologia ortopedia e reumatologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.

RUOTI, R. G.; MORRIS, D. M.; COLE, A. J. Reabilitação aquática. São Paulo: Manole, 2000.

SALTER, R. B. Distúrbios e lesões do sistema músculo-esquelético. 2.ed. Rio de Janeiro: Medsi, 1985.

SANTOS, A. C. O exercício físico e o controle da dor na coluna. São Paulo: MEDSI, 1996.

SKINNER, T. A.; THOMSON, A. M. Duffield: exercícios na água. 3.ed. São Paulo: Manole, 1985.

YOSHINARI, N. H.; BONFÁ, E. S. D. O. Reumatologia para o clínico. São Paulo: Roca, 2000.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Osteoartrose é hereditária e pode ser prevenida


Osteoartrose é hereditária e pode ser prevenida

Estudos publicados pela University of North Carolina, nos Estados Unidos, comprovam que há um componente genético na osteoartrose.


Por isso, segundo o reumatologista José Goldenberg é fundamental estar atento à história familiar do problema para prevenir podendo minimizar ou retardar a sua evolução. "Hoje em dia, existem produtos que modificam a estrutura da cartilagem denominados condoprotetores, que são capazes de prevenir, estabilizar e reparar o dano", disse Goldenberg.

Fazer exercícios também é essencial. "Há métodos de fisioterapia e Terapia Ocupacional que melhoram a função articular", afirma. "Muitas vezes é mais importante fazer exercícios orientados do que tomar remédio", destaca o reumatologista.

"Exercícios para fortalecimento da musculatura da coxa minimizam o dano causado pela artrose no joelho, por exemplo".

Emagrecer, parar de fumar e mudar o estilo de vida também são atitudes importantes.

Conhecida como artrose (bico de papagaio), é uma doença degenerativa das articulações do corpo e atinge cerca de 70% da população mundial com mais de 70 anos. Porém, ela inicia ao redor dos 20 anos.

A artrose afeta principalmente, coluna cervical e lombar, joelhos, quadris e articulações das mãos, principalmente dos dedos. Ela começa com um leve desconforto ao redor das articulações e cansaço. Posteriormente, aparece dor e, mais tarde, deformidades que podem chegar a limitar a função articular, prejudicando a qualidade de vida.

Segundo Goldenberg, estudos recentes realizados pelo Lund University Hospital, na Suécia, também demonstram que a osteoartrose das mãos está associada com o aumento de freqüência da osteoartrite de joelhos, particularmente em pacientes submetidos à cirurgia de menisco.

É importante estar atento a alguns sinais que podem indicar problemas devido a osteoartrose, tais como:

  • engrossamento e nodulação nas articulações;

  • dores nos joelhos ao subir escadas;

  • dores na virilha;

  • dores nas costas.


  • Se houver algum desses indícios, ou mesmo algum caso na família, é bom atuar sobre a doença com os exercícios orientados, ou mesmo com o uso de medicação, para que ela não cause ou reduza problemas tais como, a incapacidade.

    Terapia Ocupacional ajuda na recuperação


    Uma das formas eficazes de tratamento é a terapia ocupacional, conhecida como TO. Ela tem como objetivo diminuir a dor e orientar o paciente na proteção articular. A terapeuta Adriana Nathaly Klein, da Clínica Reumatológica Goldenberg, afirma que a terapia pode ser fundamental para que o paciente volte à rotina normal.

    "A fisioterapia tem por objetivo reabilitar determinadas partes do corpo, como fazer com que o braço de alguém que teve derrame (Acidente Vascular Cerebral) volte a ter movimentos. Já a terapia ocupacional é um complemento à fisioterapia e serve para reabilitar a função da articulação. Ela faz com que aquele paciente que teve derrame consiga, além de mexer o braço, pentear o seu cabelo, por exemplo", explica a especialista.

    Para o tratamento da artrose, a TO pode ser bastante útil. "Fazemos exercícios variados para cada articulação das mãos, prevenindo as deformidades causadas pela doença e orientando para a proteção articular. A TO fortifica o músculo, não sobrecarregando a articulação e, conseqüentemente, diminuindo a dor", afirma.

    Adriana ainda alerta para os exercícios feitos sem orientação do especialista. "Muita gente chega na clínica apertando aquelas bolinhas de silicone. Elas poderão prejudicar os pacientes portadores das doenças reumatológicas, promovendo o desequilíbrio muscular e a deformidade", disse.

    sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

    A Osteoartrose Femuropatelar

    A cada dia mais pessoas procuram os consultórios de especialistas, para tentarem esclarecer queixas de dores em joelhos, que se iniciaram sem uma causa aparente. Referem serem as mesmas contínuas, piorando com movimentos de subir e descer escadas ou, quando se agacham para pegar algum objeto. Na quase totalidade das vezes, são indivíduos jovens ou de meia idade e referem ser freqüentadores de academias. Possuem eles algumas vezes, um ponto em comum, que é o fato de estarem aumentando a carga de exercícios para perna em exercícios tipo semi agachamento (burpee), agachamento completo, leg press ou mesmo hack squat (prensa inclinada).

    Para podermos entender estas queixas devemos ter em mente, que quando do movimento de flexão máxima dos joelhos (90 graus), a manutenção deste eixo de movimentação e, da estabilidade desta articulação, é fruto não somente da integridade ligamentar, como também, da musculatura da coxa. Quando do movimento de extensão após a flexão (elevar-se após agachamento), o eixo de movimentação e a estabilidade desta articulação dependem, entre outras coisas, do eixo de escorregamento da patela.

    A patela, também chamada de rótula, é um dos ossos que compõem a articulação do joelho, participando ativamente, dos movimentos de flexão e, principalmente, extensão desta articulação. Ela se insere na parte anterior do joelho e, por sua superfície passam os tendões do músculo quadríceps (principal músculo extensor) antes de se inserir na tuberosidade anterior da tíbia.

    É a patela que evita o atrito entre a musculatura do joelho quando do movimento de extensão da perna após a flexão, atuando também, no aumento de eficácia desta musculatura (quadríceps). Possue a patela em sua superfície interna uma cartilagem denominada de "Cartilagem patelo-femural". Quando o joelho encontra-se em sua flexão máxima, no movimento de retorno à extensão (elevação após agachamento), forças vetoriais agem internamente no joelho, de forma que uma alavanca é exercida em sua parte interna facilitando, este movimento.

    Para que este movimento ocorra de forma harmônica, deverá a patela escorregar através de um sulco situado entre os dois côndilos do fêmur, denominado sulcu patelar ou incisura intercondiliana (troclear).

    Em determinadas pessoas ou atletas, devido a uma má formação congênita ou hipertrofia de determinado grupo muscular da coxa, a patela pode escorregar lateralmente (internamente ou externamente) durante este movimento, fazendo com que ocorra um atrito entre a cartilagem patelar e cartilagem interna da tróclea do fêmur. A repetição de tal fato, poderá acarretar uma lesão que, se persistente, evoluirá para um processo degradativo articular (OSTEARTROSE FEMURO-PATELAR). Estes são os casos sub-luxação ou luxação patelar.

    Tal alteração pode ocorrer em qualquer grau de flexão do joelho, podendo o diagnóstico da mesma, ser confirmado radiológicamente por um RX simples axial de patela á 30 graus, 45 graus e 60 graus de flexão.

    Em academias de ginástica, exercícios de agachamento completo, semia agachamento (burpee), leg extension, leg press, prensa inclinada ou outros que impliquem em flexo-extensão máxima dos joelhos, podem desencadear ou agravar a sintomatologia decorrente desta alteração (luxação femuro-patelar).

    Uma vez instalada esta patologia, o uso de exercícios corretivos, antiinflamatórios e SUBSTÂNCIAS CONDROPROTETORAS poderá auxiliar tanto na prevenção, quanto no tratamento.

    Fonte

    terça-feira, 20 de dezembro de 2011

    Esportes de alto impacto podem causar osteoartrite de joelho


    O futebol é um dos esportes prejudiciais às articulações, diz estudo Foto: Toru Yamanaka/AFP 18-12-2011


    Atletas masculinos que praticam esporte de alto impacto, como futebol, handebol e rugby, correm mais risco de sofrer de osteoartrite de joelho e quadril que o grupo que se exercita pouco. É o que diz um estudo sueco publicado no American Journal of Sports Medicine.

    No estudo, os praticantes de futebol e handebol apresentaram o dobro de risco para problemas articulares. E os jogadores de hóquei têm o triplo de chance. A osteoartrite acontece quando a cartilagem que amortece as articulações se desgasta muito. Esta alteração leva os ossos a entrarem em contato direto, causando inflamação, e dor, impedindo movimentos.

    - A osteoartrite de quadril e joelho nos atletas de elite masculinos é mais comum do que se pensava - disse Magnus Tveit, da Universidade de Lund, na Suécia, e um dos autores.

    A pesquisa envolveu mais de 700 ex-atletas suecos, entre 50 e 93 anos, que haviam praticado esportes profissionalmente, incluindo integrantes de delegações de Jogos Olímpicos; e quase 1.400 homens da mesma idade, pouco ativos ou sedentários. No grupo de atletas, foram selecionados ex praticantes de atividades físicas de alto impacto e de baixo impacto, como atletismo, natação e ciclismo.

    Segundo os autores, o risco de sofrer de artrite de quadril ou joelho foi 85% maior nos atletas de elite. Entre os esportistas que foram submetidos a uma cirurgia articular, o perigo dobrava. E no grupo que fazia pouco ou nenhum exercício este índice era de 19%.

    - O exercício regular é importante para a saúde e o bem-estar, mas certos tipos de atividades aumentam a chance de lesões - afirmou Joseph Buckwalter, especialista em osteoartrite e medicina desportiva da Universidade de Iowa que não participou do estudo.

    Tveit acrescentou que um corredor de meia idade com sobrepeso que pensa correr em um nível intenso deve buscar melhores maneiras de se manter em forma. E recomenda esportes ou atividades de menor impacto, como caminhada, natação, ciclismo e ioga.


    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/esportes-de-alto-impacto-podem-causar-osteoartrite-de-joelho-3480186#ixzz1h4HzEn3r
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    domingo, 11 de dezembro de 2011

    Degeneração progressiva causada pela artrose pode atingir a coluna

    Além de causar sensação de atrito, dor e limitação de movimentos, a artrose é caracterizada pela degeneração progressiva da cartilagem e pode atingir todas as articulações, com destaque para quadril, joelhos, pés e coluna - articulações de carga, devido ao esforço a que são submetidas. Segundo especialistas, as pessoas que sofrem da condição devem ficar atentas às dores nas costas, pois a artrose na coluna pode ser incapacitante se não for tratada adequadamente.

    "Quando a coluna é atingida, o importante é iniciar um bom tratamento para que o caso não se torne mais grave e incapacitante, levando o paciente a tratamentos mais agressivos", afirma o fisioterapeuta Helder Montenegro, do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral.

    As mulheres, especialmente após a menopausa, e homens na meia idade são os mais suscetíveis à condição - e devem estar mais atentos -, embora a artrose possa surgir em qualquer fase da vida. "Além do fator genético, a doença pode surgir devido a um trauma ou processo inflamatório crônico", explica o especialista.

    Como 85% da população vai viver ao menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, o fisioterapeuta destaca que as pessoas precisam rever alguns hábitos e buscar fortalecer os músculos posturais, responsáveis por dar sustentação à coluna, visando a prevenção de processos inflamatórios característicos da artrose.

    O primeiro passo para colocar a coluna em ordem, segundo o especialista, é fazer uma boa avaliação, identificando as causas da dor. São feitos testes ortopédicos e fisioterapêuticos específicos, de mobilidade, de força, de alongamento muscular e do sistema nervoso para saber qual é a situação clínica do paciente. Com o quadro definido, o tratamento é iniciado, incluindo o uso a fisioterapia, exercícios de musculação e caminhada.

    Fonte: Flöter&Schauff Assessoria de Comunicação. Press release. 23 de março de 2010.

    sexta-feira, 25 de novembro de 2011

    Tratamento de Artrite Reumatóide

    A AR geralmente requer um tratamento ao longo da vida toda, incluindo medicação, fisioterapia, exercício físico, medidas educativas e possivelmente cirurgia. Quando precoce, um tratamento agressivo para a AR pode retardar a destruição das articulações.

    MEDICAMENTOS

    Drogas antirreumáticas modificadoras de doença (DARMDs): Essas drogas são o padrão atual de cuidado da AR, além de repouso, exercícios de fortalecimento e drogas anti-inflamatórias.

    • O metotrexato é o DARMDs mais comumente usado para a artrite reumatoide. A leflunomide pode ser um substituto do metotrexato
    • Essas drogas podem ter efeitos colaterais graves, portanto, é necessário fazer exames de sangue frequentes durante o período de sua administração

    Medicamentos anti-inflamatórios: Incluem a aspirina e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ibuprofeno.

    • Embora os AINEs funcionem bem, o uso a longo prazo pode causar problemas gástricos como úlceras e hemorragia e possíveis problemas do coração
    • O celecoxib é outra droga anti-inflamatória, mas tem fortes advertências com relação a doenças cardíacas e AVC. Converse com seu médico para saber se os inibidores de COX-2 são adequados para você

    Medicamentos antimaláricos: Este grupo de medicamentos inclui a hidroxicloroquina e sulfasalazina e normalmente é utilizado juntamente com o metotrexato. Pode demorar semanas ou meses até que você observe os benefícios desses medicamentos.

    Corticóides: Esses medicamentos funcionam muito bem para reduzir o edema e a inflamação das articulações. Devido a efeitos colaterais de longo prazo, os corticoides devem ser tomados somente por curtos períodos e em baixas doses, quando possível.

    AGENTES BIOLÓGICOS:

    As drogas biológicas foram desenvolvidas para afetar partes do sistema imunológico que têm um papel no processo da doença da artrite reumatoide.

    Elas poderão ser receitadas quando outros medicamentos para a artrite reumatoide não funcionarem. Às vezes, o médico começa com as drogas biológicas antes, juntamente com outras drogas para a artrite reumatoide.

    A maior parte delas são injetadas sob a pele (subcutâneas) ou em uma veia (intravenosas).

    Existem diferentes tipos de agentes biológicos:

    • Os moduladores de glóbulos brancos incluem: abatacept e rituximab
    • Os inibidores do fator de necrose tumoral (TNF) incluem: adalimumabe, etanercepte, infliximab, golimumabe, e certolizumab
    • Inibidores de interleucina 6 (IL-6): tocilizumabe

    Os agentes biológicos podem ser muito úteis no tratamento da artrite reumatoide.

    Entretanto, as pessoas que tomam esses medicamentos devem ser observadas atentamente devido a graves fatores de risco:

    • Infecções por bactérias, vírus e fungos
    • Leucemia
    • Possivelmente psoríase

    CIRURGIA

    Algumas vezes, é necessário cirurgia para corrigir as articulações gravemente afetadas. As cirurgias podem aliviar a dor e as deformações das articulações.

    O primeiro tratamento cirúrgico pode ser uma sinovectomia, que é a remoção da membrana sinovial (sinóvia).

    Em algum momento, é necessário substituir totalmente a articulação. Em casos extremos, podem ser feitas substituições totais de joelho, quadris, tornozelos e ombros, entre outros. Essas cirurgias podem significar a diferença entre ser totalmente dependente dos outros e ter uma vida independente em casa.

    FISIOTERAPIA

    Exercícios de amplitude de movimento e programas de exercícios prescritos por um fisioterapeuta podem atrasar a perda de função da articulação.

    Técnicas de proteção das articulações, tratamentos de frio e calor e dispositivos como férulas e órteses para ajudar a sustentar e alinhar as articulações podem ser muito úteis.

    Às vezes, os fisioterapeutas usam máquinas especiais para aplicar calor profundo ou estimulação elétrica para reduzir a dor e aumentar a mobilidade da articulação.

    Os terapeutas ocupacionais podem criar férulas para mãos e punhos e ensinar como proteger e usar melhor as articulações afetadas pela artrite. Eles também mostram aos pacientes como enfrentar melhor as tarefas diárias no trabalho e em casa, apesar das limitações causadas pela AR.

    São recomendáveis períodos frequentes de repouso entre as atividades, além de 8 a 10 horas de sono por noite.

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